sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Coisa estranha...


Estou começando a pensar que o amor é uma coisa estranha. Acontece sem a gente querer, sem planejar... um dia você acorda, tem uma visão e se dá conta de que aquela pessoa é “a mulher de sua vida”, e que você já não é mais senhor e dono das suas vontades e pensamentos. Pensamentos geram palavras, e essas chegam na garganta e chegando ali sufocam... Necessitam serem ditas, e ditas, e ditas... Palavras ditas às vezes são ouvidas, e convencionalmente respondidas, e esse justamente é o ponto. Apenas duas respostas são possíveis, e pode ser ou não o que gostaríamos de ouvir. E a partir daí sofremos, não só pelo amor alvo do nosso amor, mas também por imaginarmos que esse amor não é uma coisa possível.
Ou se descobre que a outra parte também te ama, nada pode ser tão mágico quanto isso. Tudo parece diferente, tudo ganha novas cores, novos sabores, até mesmo o tempo passa a correr de uma forma diferente, o mundo gira mais devagar, acordamos com mais garra, dedicamos nosso coração e mente ao objeto de nosso amor, e nunca transamos, mas sim fazemos amor, à nossa maneira, com nossas energias, com nossas almas... Fato raro e um presente divino, isso... Somos felizes pelas coisas mais tolas, coisa que nos fazem lembrar da pessoa amada sempre. O céu estrelado, encontrar gostos em comum, o som da voz dela, aquelas nossas músicas, o cheiro do cigarro que ela fuma, seu perfume, seu cheiro, seu sorriso incontido, sua assinatura nas mensagens, seu jeito maroto... A simples “presença”, mesmo que a quilômetros de distância te deixa feliz, os mínimos defeitos são vistos como enormes qualidades... Passamos o dia preparando o coração, para aquela ínfima mas tão importante parcela de tempo dedicado àquela mulher. Quanto mais a hora se aproxima, mais feliz nosso coração fica.
Não se pede nada em troca de um amor, nem mesmo paixão de volta, talvez apenas que esse seja recebido, nada além de uma chance de se provar que esse amor é uma coisa verdadeira e que pode sobreviver, mesmo com todas as dificuldades, mesmo com a distância, e tudo é ofertado de bom agrado, com confidência, com cumplicidade, com presença, com fidelidade, com amor... Mas às vezes de forma súbita descobre-se, que esse amor dedicado não pode ser recebido...
Nenhuma razão pode ser boa o suficiente, principalmente se for por motivo torpe e fútil, se a semente da maldade, da inveja e da dúvida tiverem contaminado o coração dessa mulher...
Também de súbito, do nada, é como se todas as estrelas do céu na estrada que me conduzem a você se apagassem... etapsssm.

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