sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Allan Kardec

Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, França, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) foi um pedagogo e escritor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador do Espiritismo, também denominado de Doutrina Espírita.

A doutrina espírita é uma corrente de pensamento — nascida em meados do século XIX — que se estruturou a partir de diálogos estabelecidos entre o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail e o que ele e muitos pesquisadores da época defendiam tratar-se de espíritos de pessoas falecidas, a manifestar-se através de diversos médiuns.
Caracteriza-se pelo ideal de compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas consideradas clássicas de conhecimento, que seriam a científica, a filosófica e a religiosa. Segundo Allan Kardec, cada uma delas, se tomada isoladamente, tenderia a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo. A doutrina espírita se propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre elas, visando à obtenção de uma forma original, que a um só tempo fosse mais abrangente e profunda, de compreender a realidade.
A sua base doutrinária é o Livro dos Espíritos, primeira das chamadas obras básicas escritas por Rivail. Nesse livro, consta o resultado preliminar dos diálogos estabelecidos por ele em diversas reuniões mediúnicas com o que seriam espíritos "desencarnados". A obra é dividida em 1018 tópicos no estilo pergunta–resposta, ordenados didaticamente pelo pedagogo. As questões levantadas em O Livro dos Espíritos serviram como base para os demais livros que compõem a Codificação espírita.
Segundo muitos de seus estudiosos a doutrina espírita tem inspiração cristã, apesar das concepções teológicas bem diferenciadas no que diz respeito a conceitos como divindade, natureza humana, salvação, graça e destino. Para eles, Jesus Cristo é o espírito mais elevado que conhecemos em toda a história da Terra, bem como o modelo de conduta para o auto-aperfeiçoamento humano.

Para afastar os maus espíritos

Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados:
por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros,
mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça.

Mt, 23:27–28

Os maus espíritos só vão onde possam satisfazer os apelos de sua inferioridade. Para afastá-los, não basta lhes pedir nem mesmo ordenar. É preciso que nos despojemos do que os atrai.

Assim como as moscas farejam as chagas do corpo, os maus espíritos farejam as chagas da alma: preguiça, orgulho, inveja, ira, intemperança, avareza, luxúria. E se unem pela sintonia com aqueles que lhes dão acesso.

As boas qualidades do coração, se nos dão força para resistir às suas investidas, não bastam, no entanto, para nos livrar delas. É preciso combater os vícios e as imperfeições pela oração e pela vigilância, aplicando-nos diariamente à reforma íntima.

Sendo pacientes com as pessoas com as quais temos dificuldade de relacionamento, aprendemos a compreender e a perdoar. Exercitando a resignação ante as dificuldades, sem abatimento e sem queixas, fortalecemos nossa confiança na justiça de Deus e nos sentimos fortes para fazer a nossa parte. Olhando o próximo com a compaixão de quem reconhece um companheiro de condição humana, independentemente do estágio evolutivo em que se encontra, vivenciamos a fraternidade de sermos todos filhos do mesmo Pai.

Limpemos, pois, a nossa alma das impurezas que atraem os maus espíritos. Só então teremos autoridade moral para formular a prece que os afasta.

Oração para afastar os maus espíritos

Em nome de Deus Todo-poderoso, que os maus espíritos se afastem de mim, e que os bons me sirvam de proteção contra eles!

Espíritos malfazejos, que inspiram aos homens maus pensamentos; espíritos trapaceiros e mentirosos, que os enganam; espíritos zombadores, que se divertem com sua credulidade, eu os rejeito com todas as forças de minha alma e fecho os ouvidos às suas sugestões; mas peço para vocês a misericórdia de Deus.

Bons espíritos, que se dignam me assistir, dêem-me a força de resistir à influência dos maus espíritos, e as luzes necessárias para não ser vítima de suas armadilhas. Preservem-me do orgulho e da presunção; afastem do meu coração o ciúme, o ódio, a malevolência e todo sentimento contrário à caridade, que são tantas outras portas abertas ao espírito do mal.

Que assim seja pela graça de Deus.


Fonte: Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XXVIII.




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